terça-feira, 29 de março de 2011

Saudade

Perdi este ano alguém que amei e amo.
Eu as vezes brigava com minha avó e agora ela morreu. E toda vez que vejo tudo que passamos juntas, cada briga, cada carinho me inspira amor por sua personalidade (e que personalidade!)
Ela amou-me como sua quinta filha e eu a amei como segunda mãe e sempre que eu acabava nos devaneios de discutir era por que ela me amava como uma filha.
Eu tenho lágrimas no rosto que não matam minha sede por beijar seu rosto feito de sabedoria.
Lembro-me quando criança, eu aprendendo tabuada e ela me ensinando o pouco que havia aprendido e isso me dói no coração porque eu amei cada gesto e cada palavra que dela vinham. Sinto que os abraços que dei e as palavras de amor já não foram o bastante e que eu poderia ter pelo menos sido três vezes mais amorosa.
Só percebi que a amo o  triplo do que eu pensava te amar quando ela partiu (e aquilo que eu pensava ser bastante, agora triplicou).
O desespero me mata.... não posso cair, tenho que parar e saber que eu fiz o que deveria fazer enquanto ela ainda era viva! Neste momento o que mais quero é 15 segundos para dizer o quanto a amo.
No hospital, lembro-me dela com os lábios secos e aparelho de oxigênio, respirando com difculdade... cada lágrima sua cada respiração sofrida queimava meu coração até o núcleo. E uma semana depois,  acordo de manhã com meus tios e mãe aos pés da cama, os olhos vermelhos, olhando para mim. E eu digo com minha voz infantil e de quem acaba de acordar:
-Bom dia! E.... -eu imaginei que realmente estavam ali para dizer aquilo que supus- vocês estão com uma cara... o que aconteceu?
-Bom filha... a vovó estava realmente muito doente e acabou morrendo.
Eu enfiei minha cabeça nas minhas cobertas de borboletas e acabei tentando acordar, mas não tinha jeito, não era sonho.
No enterro eu não chorei.
As pessoas estavam todas tristes e quietas, eu apenas fiquei em silencio pensando o quanto eu detestava  enterros.
Sempre os enterros são tão sombrios por causa da tristeza, e quentes pela vontade dos outros de poder consolar da forma certa. Ninguém pode consolar ninguém, pois saudade não é transmissével.
Enquanto eu tentava segurar minhas lágrimas rebeldes pensei:
-Se alguém tentar dizer "eu entendo a sua dor" eu juro que vou lhe dar um soco na cara,  porque minha tristeza é tão grande quanto a de todos aqui, mas ao mesmo tempo é diferente porque todos nós fomos amados de formas e motivos diferentes.
Quando vai passando o tempo eu vou sentindo mais saudade, no entanto vou aceitando melhor e choro às vezes na frente da minha da minha mãe (ou, como costumo chama-la, Meu Calmante porque sua voz é a coisa que mais me acalma no mundo).
Por fim só me resta dizer:
Vó, eu te amo!!!!

3 comentários:

  1. Que coisa mais linda poder declarar nosso amor, mesmo que a pessoa só esteja presente do lado de dentro. Que bom que sua avó marcou sua vida com momentos tão importantes! A minha faleceu há mais de 20 anos e até hoje é viva nas minhas recordações.
    Lindo seu blog, Nat.
    Um beijo, Jesus te abençoe! :)

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  2. É,realmente alguém de grande personalidade!Uma pessoa diferente,sim,ela tinha algo diferente,não era como as outras(era melhor).Alguém que dava conselhos,que fazia orações a pessoas que não valiam nada,alguém que eu, vc, todos nati temos orgulho de poder dizer que fizemos tudo pra ela.

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  3. Estou alegre por encontrar blogs como o seu, ao ler algumas coisas,
    reparei que tem aqui um bom blog, feito com carinho,
    Posso dizer que gostei do que li e desde já quero dar-lhe os parabéns,
    decerto que virei aqui mais vezes.
    Sou António Batalha.
    Que lhe deseja muitas felicidade e saúde em toda a sua casa.
    PS.Se desejar visite O Peregrino E Servo, e se o desejar
    siga, mas só se gostar, eu vou retribuir seguindo também o seu.

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